Bolsa Anual para Residência Criativa de 45 dias no Japão
Organização
Centro Cultural Português em Tóquio
Parceiro Local
Director Artístico
Resultado das Candidaturas – Residência YARITORI 2026
Nota do Director Artístico:
Mais uma vez, a quantidade, qualidade e entusiasmo das propostas apresentadas foi excepcional. Tivemos o dobro das candidaturas relativamente ao ano anterior. Isso fez-nos sentir que o programa YARITORI é já muito significativo para a comunidade criativa portuguesa, apesar de ter apenas duas edições. Continuaremos a trabalhar para que o programa se possa expandir a outras cidades e ser mais ambicioso no apoio oferecido.
Para esta III Ediçao da YARITORI, a candidatura da Andrea Conangla foi a escolhida.
Andrea Conangla é uma soprano portuguesa-espanhola descrita pela imprensa como “uma acrobata vocal extraordinária”, reconhecida pela sua versatilidade e pela integração natural entre canto, improvisação e criação interdisciplinar. A sua prática artística combina performance vocal, composição-improvisação, direção cénica e curadoria, explorando temas contemporâneos através de voz, eletrónica e poesia.
E para a residência em Tóquio, propõe Kaiko.
Um projeto de investigação artística que parte da imagem do bicho-da-seda, inspirada num poema de Misuzu Kaneko. A residência será o ponto de partida para um novo álbum de música moderna com textos de Misuzu Kaneko, Sylvia Plath e poetas contemporâneos.
O projeto explora a figura da mulher, a sua autonomia artística e a forma como depressão e suicídio atravessam culturas tão distintas como a japonesa e a ocidental. A motivação é profundamente pessoal: nasce da perda de um amigo artista e professor que escolheu terminar a própria vida, e da procura por processar essa dor através de uma linguagem artística.
O projeto centra-se na intimidade do isolamento, na vulnerabilidade das palavras sobre estes temas e no diálogo entre vozes do século passado e do presente para descodificar um fenómeno que continua profundamente atual.
Na residência será feito o desenvolvimento artístico e conceitual do projeto Kaiko, integrando pesquisa, criação e imersão cultural para coletar materiais poéticos, sonoros e colaborativos que formarão a base do novo álbum.
Os quatro eixos principais incluem contatos com artistas locais, como poetas, compositores e intérpretes japoneses, com visitas a universidades de música para diálogos e colaborações; recolha de materiais por meio de assistência a concertos e performances, field recordings em espaços urbanos, naturais e íntimos (usando equipamento próprio) explorando fragilidade, memória e presença, além de sessões de improvisação com voz e eletrônica envolvendo artistas locais.
Propõe também uma viagem a Senzaki, terra de Misuzu Kaneko para aprofundar paisagem, biografia e som, somadas a aulas regulares de japonês e tandems para dominar pronúncia, ritmo e nuances poéticas. Para além do trabalho individual, onde se organiza o material recolhido, experimentam-se relações entre texto, som e eletrônica, e esboçam-se ideias iniciais para encomendas a compositores japoneses e americanos.
A residência culminará numa apresentação pública, concerto, sharing session ou instalação sonora, que reunirá excertos de improvisações, gravações recolhidas, textos explorados e eventuais colaborações iniciais. Este momento final funcionará como síntese do processo e como primeiro gesto artístico do universo de Kaiko.
De novo, muito obrigado a todas as propostas e muitos parabéns Andrea!
Vasco Mourão
Resultado das Candidaturas – Residência YARITORI 2025
Nota do Director Artístico:
Estamos muito felizes com o resultado da primeira convocatória para a residência YARITORI.
Foi incrível ver o entusiasmo por detrás das diferentes propostas e as várias formas criativas de interpretar a paisagem física e social de Tóquio e Matsudo.
A candidatura vencedora da Olga Sanina destacou-se pelo seu foco num elemento muito específico, as árvores que sobreviveram a duas grandes tragédias de Tóquio.
Ao trabalhar a partir deste património vivo da cidade, Olga Sanina tece uma relação entre passado e presente através da criação de herbariums e de uma série de obras onde usa as folhas destas árvores como matéria prima numa perspectiva única e extremamente pessoal.
Olga definiu também um cronograma de trabalho, entrevistas e pesquisa no terreno onde a presença da artista é fundamental para o projecto porque é parte integral da obra.
Outro aspecto muito valorizado na candidatura foi o facto da artista ter demonstrado como irá continuar a explorar este tópico após o período da residência.
Relativamente ao processo de candidatura definido, aprendemos imenso com esta primeira vez e vamos fazer os ajustes necessários para que seja (ainda) mais claro os objectivos e contexto da residência criativa.
Pessoalmente, fico muito feliz em fazer parte deste programa.
Espero sinceramente que possa ser um momento marcante na carreira dos participantes e que possamos criar as condições para uma produção cultural significativa e relevante para a relação entre Portugal e Japão.
Muito obrigado a todas as pessoas que se candidataram e espero que voltem a tentar em 2026!
Vasco Mourão